domingo, 8 de janeiro de 2012

Eles não a amam, e ela não ama ninguém.

Ela acendera um cigarro com urgência, e deu uma tragada também com urgência. Os cabelos loiros, presos na nuca, estavam presos por baixo do casaco que ela colocara de qualquer jeito para se proteger do frio intenso que fazia. Quando saíra para o trabalho pela manhã, não imaginava que faria tanto frio. Se soubesse, teria se vestido um pouco mais. Nenhuma pessoa no mundo diria que ela estava bem vestida. Um salto enorme nos pés, a meia calça escura era rasgada em alguns pontos (maldito barman!). O casaco cobria parte de um rasgo que lhe subia pela coxa. Os saltos altos estavam lhe matando os pés.

Virou-se quando a porta da parte do trás abriu-se. Ela sentiu um leve solavanco no peito ao deparar-se com ele. Um homem, cujo rosto macilento e olhos fundos ela conhecia bem. Bem demais para reconhecer o perigo daquela expressão.

- SUA PUTA! – ele avançou contra ela, antes que ela pudesse realmente fugir (o instinto a fizera arriscar). – Tu acha mesmo que eu sou OTÁRIO?!

- Porra, me larga!

- DEVOLVE O DINHEIRO!

- Mas de que porra você tá falando?! – ela gritou de volta, tentando livrar-se dele. Empurrava-o com a mão livre. O cigarro caíra no chão no momento em que ele a agarrou.

- Tô falando do dinheiro que aquele mauricinho me disse que deixou para ti. TÁ ACHANDO QUE EU SOU OTÁRIO?!

- Eu.não.tenho.idéia.do.que.você.está.falando. – ela disse entredentes, olhando-o desafiadoramente. Com raiva, a mulher usou toda a força que tinha para pisar nele com a ponta fina do seu salto. Foi o suficiente para ele se afastar. Chutou-lhe o saco. – SEU PORCO! – cuspiu aos pés dele e correu dali.

Sabia que não poderia voltar. Pelo menos por uns três dias. Era tempo suficiente para ele não matá-la. E tempo de gastar o dinheiro extra que conseguira na noite.

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