quinta-feira, 7 de junho de 2012

O caminho para a perdição é feito de asfalto.

Talvez fosse o vento que o fustigava, ou talvez fosse adrenalina; talvez fosse sentir os braços dela ao redor da sua cintura; talvez fosse o cérebro, que estava a mil; ou as luzes que corriam tentando acompanhá-los - seus rastros davam vertigem. Ele acelerou, 120 km por hora, cruzando a estrada, vrummmmmmmmmmmm.... 
E ouviu a risada doce dela em seus ouvidos... 
...tão doce que o levaria direto para o inferno!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Das friezas imperdoáveis.

Diziam que quando se mata alguém, uma espécie de adrenalina surge no peito. Mas ele não sentia emoção alguma. Cuspiu no chão, entediado, antes de carregar a arma que tinha em mãos, uma Colt Anaconda, .44 magnum, sua favorita para aquele tipo de serviço. Quando levantou os olhos para o homem à sua frente, tinha um olhar decidido a dar um ponto final naquilo. Sabia que o “boss” estava atrás, observando pacientemente ele resolver aquele assunto. Definitivamente.

O homem, preso à cadeira por correntes e cujos gritos eram abafados por um pano que o amordaçava, soube seu destino no momento em que a luz fraca refletiu no metal do revólver. O executor o olhou, com frios olhos azuis. Cheirou o medo. Puxou o gatilho. E cheirou a morte.

Não houve uma palavra realmente pronunciada. Naquele tipo de serviço, não eram necessárias explicações. Você sabe por que está na mira. Você sabe por que está atirando. Cada um exerce seu papel, e o trabalho é feito. Como qualquer outro.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Anestesia.

Fechou os olhos para sentir a música melhor. Estava inebriada com a batida forte, alta, esmagadora. Tomava-lhe completamente o sentido, o corpo, a alma. Ou seria efeito do tablete mínimo que se desmanchara na ponta da sua língua? Tudo parecia ter se esvaído. Abriu os olhos e tudo... girava. As luzes piscavam fortemente, em flashs contínuos, alucinatórios, uma explosão estelar. Um sorriso ébrio abriu-se em seus lábios, ela ergueu as mãos para o céu, para tocá-lo... pensou tê-lo feito, e regozijou-se, fechando os olhos mais uma vez. Não sentia... não sentia nada, só queria sorrir,e sorrir, e sorrir...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Eles não a amam, e ela não ama ninguém.

Ela acendera um cigarro com urgência, e deu uma tragada também com urgência. Os cabelos loiros, presos na nuca, estavam presos por baixo do casaco que ela colocara de qualquer jeito para se proteger do frio intenso que fazia. Quando saíra para o trabalho pela manhã, não imaginava que faria tanto frio. Se soubesse, teria se vestido um pouco mais. Nenhuma pessoa no mundo diria que ela estava bem vestida. Um salto enorme nos pés, a meia calça escura era rasgada em alguns pontos (maldito barman!). O casaco cobria parte de um rasgo que lhe subia pela coxa. Os saltos altos estavam lhe matando os pés.

Virou-se quando a porta da parte do trás abriu-se. Ela sentiu um leve solavanco no peito ao deparar-se com ele. Um homem, cujo rosto macilento e olhos fundos ela conhecia bem. Bem demais para reconhecer o perigo daquela expressão.

- SUA PUTA! – ele avançou contra ela, antes que ela pudesse realmente fugir (o instinto a fizera arriscar). – Tu acha mesmo que eu sou OTÁRIO?!

- Porra, me larga!

- DEVOLVE O DINHEIRO!

- Mas de que porra você tá falando?! – ela gritou de volta, tentando livrar-se dele. Empurrava-o com a mão livre. O cigarro caíra no chão no momento em que ele a agarrou.

- Tô falando do dinheiro que aquele mauricinho me disse que deixou para ti. TÁ ACHANDO QUE EU SOU OTÁRIO?!

- Eu.não.tenho.idéia.do.que.você.está.falando. – ela disse entredentes, olhando-o desafiadoramente. Com raiva, a mulher usou toda a força que tinha para pisar nele com a ponta fina do seu salto. Foi o suficiente para ele se afastar. Chutou-lhe o saco. – SEU PORCO! – cuspiu aos pés dele e correu dali.

Sabia que não poderia voltar. Pelo menos por uns três dias. Era tempo suficiente para ele não matá-la. E tempo de gastar o dinheiro extra que conseguira na noite.