quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobre um cretino II

Ela sentiu as lágrimas chegarem aos olhos, enquanto sentia uma espécie de sufoco apertar-lhe o peito, tirar-lhe o ar. O descaso das palavras dele ressoava em seu ouvido como se ele estivesse logo ao seu lado, sussurrando em seu ouvido. A garota notou que suas mãos tremiam e então segurou a alça da mala com força, como se isso a impedisse de tremer. Ela mexeu a cabeça com rigor, tentando afastar as lágrimas dos olhos. Rangeu os dentes.

Todos diziam que ela tinha o coração de pedra. Mas não. Ela não tinha: tinha um coração de vidro. Parecia firme à primeira vista, mas alguns socos e ele estilhaçava. E cortava tudo o que houvesse ao redor.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Sobre um cretino.

Ele ergueu o olhar para ela. Parecia irritado, irônico, desapontado. Era um olhar de quem se cansara de se importar. Ela conseguira deixá-lo insensível: já não se preocupava mais se iria machucá-la (quando ele tentou de tudo para saber como evitar isso), ou com os sentimentos dela. Não se importava mais se ela o amava ou não, ou se ele não a correspondia. A garota conseguira com ele ligasse o "Foda-se" para valer.

O rapaz a viu se distanciando e continuou parado, de pé. Levou o cigarro aos lábios e abaixou a cabeça enquanto o acendia. Só então, levantou o olhar novamente para a loira que descia as escadas, arrastando a mala.
- Cuidado para não cair da escada. - ele disse com descaso, ao expirar a fumaça pelos lábios, erguendo ligeiramente o queixo. Seu olhar exibia uma completa indiferença. O rapaz não se deu ao trabalho de ficar ali para ouvir uma resposta. Simplesmente, virou as costas e saiu dali. Ela queria que ele agisse como um filho da puta? Conseguira. Ele seria um maldito filho da puta então.